segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Salve, Zé Mário!

foto: Lu Mena Barreto
Esse ano tá muito louco...
Sinais a toda hora querendo dizer coisas que eu preciso entender.
Momentos lindos e momentos cruéis.
Coração a todo momento sendo posto à prova.
Tristeza.
Foi-se hoje meu grande amigo Zé Mario Storino.
Figura ímpar. Sorriso único. Alma exemplar. E danado de cabeça-dura. Graças a Deus. Se fosse perfeito, ninguém agüentava.
Reclamávamos ao longo de anos de amizade, que nunca tinhamos contracenado juntos, o mais perto que chegamos foi na Dona Gorda, ele na cabine, operando o som (essencial demais pra esse espetáculo acontecer) e eu em cena.
E veio 2009 e o prêmio da Funarte que possibilitou a estréia do Avarento.
Viva! Eu e o Zé em cena juntos, finalmente.


foto: Luciano Sousa

E hoje, dia 16 de novembro, sem nenhum senso de humor, o Zé sai de cena. Assim, na velocidade do seu sorriso lindo. E nos deixa sem chão, puxa o nosso tapete e improvisar se torna quase impossível.

Num clique de inspiração com as lembranças desse amigo eterno e essencial, escrevi na página do orkut dele o texto que coloco no final deste post, e me recolho hoje preparando-me para o dia de amanhã, quando terei a primeira apresentação de Dona Gorda sem o Zé entre nós, ele que me indicou para o papel e me apresentou ao também amigo e parceiro Paulo Guerra. Fiquemos com tua doce lembrança amigo. Nosso bondoso Mestre Tiago do Avarento, nosso amigo e grande colega da maior parte da classe artística de Porto Alegre. A perda é enorme. E ganham os anjos do céu.

Aplausos amigo!

Zé, tu é muito baderneiro, arteiro, sem vergonha...
E eu te amo.
E achei sem propósito tua saída de cena
E eu te amo
E tu foi meu padrinho em tantas coisas que perdi a conta
E eu te amo
E tua amizade vai fazer falta todo dia.
E eu te amo.
Mas a lembrança do teu sorriso lindo vai nos acompanhar...
E é por isso e por tudo que tu sempre foi,
Que eu te amo. Sempre.
Me aguarde, quando eu te reencontrar te encho de palmadas por ter saído de fininho
Tó. Leva contigo um pedacinho do meu coração. Ta doendo mesmo, faz um cafuné....



foto: Luciano Sousa


by me, na página de recados do Zé no orkut...

3 comentários:

Cassiano de Souza disse...

Ultimamente aquele cara lá em cima parece estar de palhaçada com a gente aqui, súbitas partidas injustas sem coerência, sem a gente querer.
A gente só pede um pingo de nexo pra certas coisas que ele anda fazendo, ter direito de entender os porquês. Talvez um dia quem sabe, no dia que todos se reencontrarem, a gente continua tocando as coisas daqui e quem saiu de cena agora interpreta um papel muito real, o de uma grande e brilhante estrela.

Beijão amada, carinho no teu coração.

Helena Mello disse...

Só conheci o Zé Mario de vista, de cena. Mais recentemente, comecei a esbarrar nele ao lado dos meus amigos e tinha esta impressão dele: sorriso franco e meiguice no olhar. Claro que perder amigos deixa saudades, mas eu não tenho dúvidas de que isso tudo é só uma passagem pela qual eles entraram antes de nós. Teu blog tá lindo. Cheio de textos poéticos e emocionantes. Já disse antes: além de ótima atriz precisava escrever tão bem? beijo

**Marthinha** disse...

Oi, Lúcia,

Nas últimas semanas tenho me esforçado muito para voltar ao meu dia-a-dia. Confesso que está sendo muito difícil.

Na última semana que antecedeu o Natal, passei em Porto Alegre, desocupando o ap. onde o Zé Mário, meu irmão morava. Acho que foi a semana mais difícil da minha vida pois, em exatos oito dias, invadi a vida, o espaço, a intimidade dele. E isso me fez muito mal, pois mexer nas suas coisas (roupas, escritos, segredos, documentos etc) fez com que eu me sentisse uma invasora. Nesses oito dias eu conheci meu irmão verdadeiramente, por inteiro. E eu trouxe várias coisas (objetos, roupas, escritos...) que ainda não consegui guardar, separar, sequer olhar. E agora, lendo seu texto, me trouxe tudo à tona. E saudade ressurgiu, a tristeza aumentou e o coração voltou a sangrar.
Hoje, a sensação que tenho é que, a qualquer momento, o telefone vai tocar e ele vai contar suas histórias último ensaio, da última sessão do Avarento, do amigo novo que conheceu, enfim, vai me contar mais uma de suas tantas histórias.

Desculpe, não consigo mais escrever...
Amei o texto que escreveu. Agradeço pelo seu carinho e de todos os seus amigos.

E, como ele mesmo terminava seus e-mails... "Abraços, beijos e sorrisos..."

Martha Cristina Storino (diretamente do Rio de Janeiro).