domingo, 13 de setembro de 2009

Orgulho, saudade e teatro

Foto: Arquivo ZH
A chuva deixa a gente mais introspectivo e melancólico, a menos que estejamos naqueles primeiros momentos de uma grande paixão onde tudo, absolutamente tudo é de uma cor tão maravilhosa que mesmo as coisas mais cotidianas tornam-se algo poético.
Pois bem. Sexta-feira foi um dia delicado. Um dia vazio. Faltava algo. Era dia 11 e - como já falei aqui - apesar da referência direta ao raio das torres gêmeas (sim, também peguei nojo do acontecido) seria um dia de festejar. Seria o aniversário do meu pai. Teríamos, eu e minha irmã comemorado mais um ano vencido, pois ultimamente nos focávamos em metas curtas, ano a ano. Pensavamos, já há algum tempo, em fazer uma comemoração junto aos jornalistas, para incentivar o pai, e lembra-lo do quanto ele era querido, respeitado, e quantos o consideravam um mestre.
Mas o nosso porteño cansou e quis comemorar de outro jeito, junto amigos queridos que já se foram e certamente, junto à minha mãe. Paciência, ele sempre foi um trangressor mesmo...
No entanto, desde sua partida, homenagens não cessam e neste sábado, dia 12, foi a vez do Luiz Adolfo Lino de Souza, editor de arte dos jornais do grupo RBS e ex-aluno do meu pai, escrever sobre o Bendati no Caderno de Cultura da Zero Hora, numa matéria intitulada "Um poeta do espaço gráfico".

Paralelo a isso, segue o PoA Em Cena, e ontem assisti ao espetáculo Neva, do Grupo Teatro en El Blanco, do Chile. Muito Bom. Ainda que pese questões como ritmo em certos momentos, e ainda que eu acredite que nem todos acompanham o espanhol como eu o faço, tive até o momento gratas surpresas de espetáculos onde o trabalho dos atores, acima de tudo, é louvável. Neva tem, inclusive, uma concepção interessante. A luz - diferenciada - manipulada pelos próprios atores, o espaço de atuação mínimo, enfim. Gostei. Muito. Ouvi questionamentos de amigos que também assistiram quanto ao espetáculo ser direcionado apenas à classe teatral. E fico aqui me perguntando se não seria este - um festival de teatro - o melhor espaço para se apresentar tais espetáculos. Eu ri muito e me emocionei também. Me identifiquei. E também sou platéia. Me pergunto até onde o tema deve ser criticado e até onde cada história posta em cena que retrate esta ou aquela profissão pode ser taxada de elitista ou algo assim. Uns se identificarão mais, outros menos, sempre. Mas se houver verdade no palco, eu não preciso ser cientista nuclear para acompanhar um interrogatório do criador da bomba atômica e me emocionar com seus argumentos*.

Enfim, fico aqui refletindo e de peito aberto para o que virá.

A benção, meu pai.

* Referência ao espetáculo O Caso Oppenheimer de 1985, montagem portoalegrense em parceria com o Instituto Goethe que tinha como protagonista o já falecido ator Pereira Dias.

3 comentários:

Marcelo Adams disse...

Parabéns por mais uma justa homenagem ao teu pai. Que bom ter um pai tão querido assim!

Helena Mello disse...

Pois eu, perdi meu irmão que tinha 49 anos no dia 11 de setembro de 2005. Ataque cardíaco fulminante. Confesso que tenho que fazer força para achar que a desgraça maior foi a queda das Torres Gêmeas. Fazer o que? O amor, às vezes, é assim: egoísta. De qualquer forma, ele deu um jeito de se fazer inesquecível, né? Temos, então, mais esta data em comum, além da paixão pelo teatro!

Ema disse...

Lucinha, querida
Queria ter uma palavra de alento pra te dar de presente, mas que difícil ...Minha mãe amada faria aniversário ontem se não tivesse partido há três anos (e dói como se fosse agora)!
Bueno, os três devem estar colocando a conversa em dia "lá em cima" e a D.Alice deve estar reforçando que a "melhor coisa que ela comeu na vida foi a paella preparada pela Iara". Ela vivia dizendo isso, o que vindo de uma cozinheira como a minha mãe era um p...elogio!
Beijo grande. Brígida