sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Já?



Sim, no meio da madrugada fria, vejo um post no blog d'O Avarento, faço uma pausa e concluo...
Já.
Já faz um ano.
Que estreamos, dia 14 de agosto de 2009 este espetáculo tão importante na minha carreira.
Emoções se confundem em mim.
Pois no próximo domingo, dia 15 de agosto, fará um ano também que meu pai, o "véio Benda" nos deixou.
Na balança desta vida louca, os sentimentos se debatem.
Saudade? Tristeza? Alegria? Orgulho?
Tudo.
Tudo-junto-agora-ao-mesmo-tempo.
Cada vez mais acredito que nada é tão assim ao acaso.
Cada vez mais me proponho a aprender com o ser humano e com os muros que se erguem frente a gente e as barreiras que no nosso caminho se instalam.
Eu sei lá onde tudo isso vai dar.
E na boa às vezes não me importa. O momento-agora é tão mais importante. Ou deveria ser.
talvez escreva isso pensando exatamente em me convencer disto. Porque o amanhã é incerto mas tem sempre um motivo para ele acontecer.
Nada é de graça.
E que bom saber olhar as coisas assim.
Pois bem, é nessa madrugada gelada desta Porto Alegre que eu amo que eu queria dizer a todos do Grupo Farsa o quanto me sinto em família ali. O quanto me sinto amparada e o quanto cada um de vocês com suas particularidades me encanta e me faz crescer. O quanto quero aprender com vocês, de Arte e de arte. A arte do conviver. De conviver com as neuras e não-neuras, com as palhaçadas e "tansisses", com as paciências e explosões, os bons-sensos e os chutes nos baldes. Me sinto realmente em família, talvez por ter a minha se reduzido tanto nos últimos anos... E isso não é mais uma daquelas declarações trouxas da era internética que todo mundo diz que ama todo mundo com a maior facilidade. Estou aqui falando de um sentimento que vem se construindo sólido e que cada vez mais mostra maturidade ao se perceber tão repleto de uma capacidade de regeneração. Pois bem meus querido e queridas. Amo. Mesmo. Cada um de vocês, e nesta madrugada desejo a todos um ótimo aniversário nada avarento e abraço cada um de vocês embaixo do nosso capote! Muitos anos de vida ao nosso espetáculo.

meu pai e minha sobrinha há uns 8 anos atrás...
E a ti meu paizinho porteño, que tanta falta faz, mas que acredito esteja em ótima companhia, mando uma energia enorme de gratidão por tudo que me ensinou, pela faísca do teatro que acendeu em mim essa coisa doida que não consegue parar de querer respirar em cima do palco ou ao menos ao redor dele.
Te amo sempre pai, te abraço forte e penso sempre nos teus olhos azuis, me incentivando, nas platéias ou no sofá da sala, em frente à lareira, tomando um "negro caliente" ou um cafézinho para os reles mortais.
Procuro não pensar muito na tua ausência e na da mãe, porque nunca achei sadio para os que ficam amarrar com tristezas a morte. Acho que às vezes é melhor para todos deixar que os outros partam. Por que desta maneira sofre-se menos. Mas não sou muito boa em seguir regras, e hoje, confesso, chorei tua ausência.
Pausa. Faz parte. Chorar também me limpa. Penso. Tua presença em mim é maior. Tá nas veias, nos traços, na arte, nos palavrões, no dna, na essência.
Não vou te prender ao meu chôro pai. Vou te comemorar hoje. E sempre.
Dorme bem viejo...
Te amo mucho.

besos y sonrisas...

sábado, 7 de agosto de 2010

Ser assim é uma delícia...

Então...
O vídeo do youtube abaixo chegou a mim porque postaram no facebook e a Petit me passou para que eu o visse e é claro, lembrei dela por vários aspectos, entre eles o fato de ser uma "grande" contadora de histórias, de ser falado em francês, dos charme da criança falando "hipopotámu" e por estar com a boca lambuzada de alguma comida deliciosa.
Tá, ok. Estas foram as identificações imediatas.
Mas lá no fundo bateu ainda uma reflexão.
É por isso que eu amo fazer teatro para crianças.
Sim, amo fazer teatro como um todo.
Mas não é segredo a minha paixão por tentar chegar nesse mundo aí. Nessa loucurinha sadia e cheia de lógicas coloridas, de senso de justiça de ah... sei lá entende?
Fiquei encantada.
Vejam e compreendam, se é que me acompanham...

boas noites e viagens...


domingo, 1 de agosto de 2010

Domingo...


Semana finda.
Sol se põe.
Noite cai.
Domingo se espreguiça.
Pensamentos escorregam na alma.
Silêncio relativo.
Pequeno desconforto.
Recolho-me.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Opa!


Psht! Chaatcha!
Nãninãninãããã...
Não adianta querer, Dona Vida, me virar de cabeça pra baixo e querer que eu fique assim para sempre!
Não senhora! Não fico!
Eu até vou me bagunçar, o sangue vai subir à cabeça, tudo vai embolar um bocado, vou me engasgar, vou ver tudo torto, e ver coisas sob outro ponto de vista... mas eu volto.
Ãrrã, Dona Vida... Não pensa que é só birra não, nem pensa que eu não quero aprender e nem enxergar as coisas e nem me preparar para mudanças...
Tá... eu bato pé um pouco, fico até meio rabugenta, eu sei.
Mas sabe? Quando a gente fica assim de ponta cabeça, o pior e mais desconfortável que acontece, é ter que ver aquele bando de butiás caindo do bolso da gente e rolando por aí...
Putz grila né?
É... completamente desagradável e nada digno, por assim dizer, catar um por um...
E então, eu logo volto desta bananeira que a senhora me fez plantar e tudo toma um rumo outra vez. Ou rumos, quem sabe?
Eu sei. Ou não sei, mas vou cá aprendendo...
E mais do que tudo, aos poucos aprendo como é que se vira de ponta cabeça sem o sangue subir à cabeça (ou descer à cabeça)...
Enfim, já cantavam Nei Lisboa e Cida Moreira: "Penso, logo insisto".

A benção, Dona Vida!

Boas noites e dias e estrelas e butiás a todos. E todas.

;)

domingo, 4 de julho de 2010

Do sol e do efêmero...


Domingo ensolarado. Coisa boa, aconchegante, acalentador.
Estante de livros já bem organizada desde a semana passada, pensamentos viajam... um clic. Os olhos encontram um foco. Na estante um livro, um presente certeiro de uma petit amiga antenada com o que me move.
O livro, uma publicação do SESC/SP sobre o espetáculo Les Éphémères, do Théâtre du Soleil de Ariane Mnouchkine, me remete àquele abençoado dia que assisti a peça no POA Em Cena, alguns anos atrás.
Abro o livro. Como naquelas situações onde se abre livro de mensagens ou pensamentos ao léo, ali estava a reflexão precisa e certeira que viria de encontro às minhas idéias.
Nas palavras de Danilo Santos de Miranda, diretor regional do SESC São Paulo, um texto intitulado "A Poética da Vida", abraça os meus pensamentos... e eu compartilho:

" Numa sociedade em que muitos dos valores se originam por suas oposições - feio e belo, novo e velho, claro e escuro -, perceber o ser humano em sua essência, atualmente, requer um exercício de sensibilidade que a própria dinâmica social, com sua corrida desenfreada, nos impede de desempenhar, um mínimo que seja, cotidianamente.
Nascer e morrer se constituem, assim, os extremos de nossas vidas, como se fosse possível nos espremer entre estes dois verbos sem perceber o recheio que nos faz o que realmente somos, o que construímos, o que amamos. Almejamos, então, as magnitudes, os sucessos inatingíveis, as mudanças extraordinárias, na exacerbação de desejos maiores que podem os nossos sonhos desenhar.
Colocamos tudo nos compartimentos das importâncias. Os atos mais importantes, grandes feitos a serem realizados, guardados à frente, na esperança; e assim, os menos importantes relegados a um passo estreito dentro de nós, às portas do esquecimento. E os instantes que nos fazem ficar de cabeça baixa, o pensamento numa nuvem rala, numa ponta de pó no canto da sala, somam-se a um estado de transe muitas vezes incompreensível aos nossos anseios.
(...) as pequenas coisas, aquelas que se volatizam num piscar de olhos, deixam marcas mais profundas do que o mais grandioso gesto, entram pelos poros enchendo de vida o recheio entre a aurora e o ocaso dos dias.(...) a vida, mais que toda a teoria acumulada e as forças dos discursos, é feita também - e principalmente - de silêncios e simplicidade. (..)
Deixar que o efêmero que nos rodeia se disperse é uma condição da efemeridade. Não esquecê-lo até o ponto de fazer nascer a poética da vida é uma oportunidade gloriosa de sermos cada vez mais humanos."

E num suspiro com um sorriso interno, eu faço o meu silêncio.

Bom final de domingo a todos e todas...
;)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Um inventor que faz toda a diferença...

Bendito seja o inventor desta bebida essencial na minha vida.
Bebida reconfortante, sociabilizadora, digestiva, estimulante.
Louvado seja o inventor do café.
E sorvo mais um gole, recheado de lembranças, olhares, rancores, carinhos, imagens, desejos.
Expresso ou não. Me expresso e para mim faz sentido.
E há um riso no canto da boca...


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Gotas...


Tem coisas que eu me pego pensando sem saber porque e nem de onde.
Mas entrego-me. Permito-me.
Momentos que só um dia chuvoso explica.

E goteja em mim.