segunda-feira, 29 de março de 2010

"Xaxados e Perdidos", uma benção!

Foto: Cláu Paranhos
Terceiro sinal.
Senhores passageiros, apertem os cintos, seremos transportados para outra atmosfera.
Aqui e agora, bastando para isso abrir-se e tornar-se disponível para absorver os acordes que do palco irão brotar.
E entra em cena o trio - como se não bastasse a competência musical - mais simpático e harmonioso que eu me lembro ter visto nos palcos daqui.
Começam à capela num "padabadá" harmônico, E Simone Rasslan se encaminha para o teclado. Beto Chedid e Alvaro Rosacosta colocam-se junto a seus vários instrumentos também.
E está feito.
Criado um novo mundo, uma nova energia.
O cenário de Alvaro Vilaverde, de grandes fuxicos de chita, pequenas instalações com altares de santos e o complemento da ótima iluminação do Bathista Freire resultam com maestria num objetivo: aconchegar.
Não há como sentir-se acoado ou impassível, ou mesmo frio ao que nos é apresentado. O figurino de Madalena Rasslan para Simone e a composição de figurino de Alvaro e Beto contribuem, pois deixam os músicos tão à vontade quanto a gente que os recebe de coração aberto.
Não sou nenhuma especialista nesta área e graças a deus isto não é nem se pretende uma crítica. Vamos dizer que é um relato de impressão, ou talvez o melhor seria dizer de "sensação".
A sensação que saí do espetáculo musical "Xaxados e Perdidos" foi a de ter elevado a alma. Saí abençoada, renovada, completa.
Viajei pelo Brasil ontem à noite, ali sentada na platéia do Teatro do Sesc. E se eu olhasse pro lado, coisa que acho improvável, pois estava hipnotizada, talvez eu visse rodas de viola, Rios São Francisco, e montes de cenários encantadores no nosso país.
Mas acima de tudo, me senti em casa. E é esse o grande mérito desse espetáculo. A interpretação das músicas na voz de Simone em conjunto com Alvaro e Beto e os arranjos criados para esse repertório são uma benção. Arrepiam de tão lindos. A sonoridade cativa. As "surpresas" são bem-vindas. Coloquei entre aspas, pois já tinha visto o espetáculo na estréia, e sabia que havia a participação de um grupo coral na platéia. Mas tudo me parecia a primeira vez.
Percebi com satisfação, o quanto o espetáculo evoluiu, está mais fluido e acabado. E escolha do repertório é para mim, acertadíssima. E Simone diz a que veio. É doce, maternal e por vezes forte e agressiva na interpretação das músicas. Por que as conhece e domina. E sabe usar seus intrumentos.
Suspiro. Era isso. Daqui pra frente só posso me repetir.
Então me resta agradecer, mais uma vez. E desejar vida longa ao "Xaxados...". E que não se percam dos nossos palcos, pois quero viver isso mais vezes.

Muitas vezes!


quarta-feira, 10 de março de 2010

domingo, 31 de janeiro de 2010

Marketing é tudo nessa vida!

Pois bem, o novo ano começou, a mil para variar, o primeiro mês termina hoje e muita água já rolou e vai rolar. Amanhã, depois de não sei quantos anos se tirar férias, finalmente vou passar uma semaninha no Rio de janeiro com minha amigona Rô Milani, que já mora lá há 7 anos mais ou menos e nem a casa dela eu conheço. Estão previstos uns dias em Búzios também (sim to me sentindo os chiques da novela...).
E no meio de tantos acontecimentos, coisas boas também vieram à tona depois do último post.
Principalmente coisas profissionais, que divido aqui com vocês.
Em primeiro lugar, as 8 indicações do Avarento para o Prêmio Açorianos 2009, incluindo a minha para atriz coadjuvante (pela primeira vez fui indicada a um Açorianos).

"O Avarento" - 8 indicações para o Açorianos - Foto: Luciano Sousa
Certo, esperávamos para espetáculo também, mas não vou entrar neste mérito. Já participei de todas as formas deste prêmio (como jurada inclusive). Já ganhei e não ganhei. Nunca se satisfazem todos os anseios, e os critérios são sim, relativos e questionáveis. Fazer o que? Eu prefiro vibrar e reverter as indicações em marketing. No final, é o suco que se tira do limão.
Fora a indicação ao Avarento, fui indicada também para o Prêmio Tibicuera de melhor atriz pelo Gipogá da Menina das Estrelas e de atriz coadjuvante pelo Miguel do Peter Pan.

"Gipogá" Foto: Livia Auler

"Miguel" Foto: Sérgio Souza

Acontecimento histórico pra mim, nunca tinha sido tão indicada assim. E por personagens tão diferentes. Um velho, um bebê de fraldas e uma mulher trambiqueira que se disfarça de comissário. Tomara que não gere crise de identidade, hehehe. Enfim, estou feliz pelo reconhecimento. A lista completa das indicações vc encontra aqui .
E antes de o ano acabar, ainda tiveram as colunas do Antonio Hohfeldt no Jornal do Comércio de 24/12/2009 e 31/12/2009 onde ele colocou os destaques do ano no teatro adulto e infantil e nos dois casos destacou meus trabalhos, no Avarento e no Peter Pan.
E ainda houve no final do ano a re-publicação de uma entrevista minha, dada ao Reissoli Moreira que agora contribui com o site "Artista Gaúchos". Quem quiser conferir, é só clicar aqui.
No mais, hoje último dia de "O Avarento" no Porto Verão Alegre, às 21 horas no Teatro Renascença. Não deixe de assistir!

"O Avarento" Foto: Luciano Sousa
Depois, uma semana de férios no Rio!
Na volta, dias 9, 10 e 11 defevereiro tem "Dona Gorda", ainda no PVA, na Sala Carlos Carvalho da CCMQ.
Aguardem as novidades!
beijos em todos e todas!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Virando a página!


Ei 2010...
Vou te plantar com cuidado e carinho...
E desejar bons acontecimentos.
Aprendi muito no ano que passou.
Em momentos bons e ruins.
E cresci. E vou crescer mais.
Pero sin perder la ternura jamás.

Beijos a todos e todas.
Muita delicadeza e gentileza no novo ano.
E amor e brincadeiras.
E sementes plantadas que sejam bem tratadas e se desenvolvam grandiosas em solo fértil.

Ano que vem estou de volta.
Um brinde!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A cara à tapa...


A vida me dá tapas, bofetões, mega bofetadas.
E eu sempre abraçando a postura da fortona, a esclarecida, a consciente, madura, focada.
Mas me cansa.
Só eu sei como eu sou por dentro.
Como me machuca ser assim.
Como me revolve as entranhas não ter meios termos pra falar.
E ter que ser a analista e a analisada de mim mesma dizendo: ta te fazendo de vítima.
Estou? Talvez esteja sim. Ou simplesmente esteja me permitindo por pra fora o que nunca coloco.
Mania de perfeccionismo. De achar que blog é quase uma publicação jornalística. . É nada, é um diário-desabafo virtual. Pelo menos até a página dois.
Tenho refletido muito a respeito de amizade (nossa, como eu ando reflexiva...).
E sei que não tenho as verdades em mim.
Sei que sou super equivocada em várias coisas.
Mas não consigo aceitar que ser amigo é dizer o que o amigo quer ouvir. Sempre vou acreditar que ser amigo é dizer o que o amigo precisa ouvir.
Mesmo que doa, mesmo que machuque. Assim como eu gosto de ouvir verdades duras.
Gostar é modo de dizer. Ninguém gosta, se as verdades não são doces.
Vai dizer: Coisa boa ouvir de um amigo um elogio sincero? Bah, a gente é tão maluco, que não acredita quando o elogio vem do amigo. Acha que ta só agradando, só porque é amigo.
E então, quando o amigo critica ou abre teus olhos, tu te ofende. Fica de cara. Imagina sei lá o que, de repente até imagina que o amigo quer te por pra baixo!
Imagina! Um amigo!
Na minha terra – família onde me criei – amigo vem acima de tudo. É com quem a gente tem que se preocupar pro resto da vida. Minha mãe dizia que era capaz de matar por um amigo. E quer saber? Eu acredito que era mesmo. Me deu muitas vezes provas disso, sem precisar matar ninguém.
Mas eu ando meio ressabiada. Acho que não tenho muito jeito com as pessoas. Não sou boa com jogos sentimentais. Ou talvez devesse dizer que não saiba conduzir muito bem uma amizade. Sabe aquilo? Que sempre dizem que o melhor é tu chegar às conclusões e não recebê-las de mão beijada? Que a gente não deveria responder o que a pessoa pergunta, deveria responder “céu” ao invés de dizer “azul”? Deveria levar a pessoa a concluir sozinha. E aí num belo dia, por motivos alheios ou como hoje que chove às pencas, ao invés de dizer “azul”, a pessoa diz: chuva, molhado, água, vou me afogar! O que se faz numa hora dessas? O amigo quer ouvir “amarelo” e tu queres que ele conclua “azul”. Ele quer as estrelas do céu e tu queres dizer que o céu vem antes de tudo. Ai difícil. Muito difícil.
Eu, cá da minha janela vendo a chuva cair, só espero que não tenha me machucado a toa. Espero eu também aprender a calar a boca um pouco mais.
E agradeço pelo ombro. Sempre é bom falar. Mesmo que sejam palavras amargas.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Aprendendo a rir dos medos!

Tenho pensado muito no que me move.
E percebo ter sido este um ano de ensinamentos.
E não estou aqui me referindo apenas aos maus momentos que me fizeram aprender a socos.
Falo nos sopros de leveza e nas gargalhadas e êxtases e tantos momentos mágicos que por vezes vivenciamos sem nem ao menos nos darmos conta no instante em que acontece.
E estou aprendendo.
A perceber.
A refletir (mais).
A saborear coisas pequenas.
A me fartar com as grandes.
A perceber sinais e me permitir reagir a eles.
Sem medos. Ou com medos assumidos. Com dignidade.
E tentando me alimentar de coragem.
Pra ir em frente.
E fazer valerem as coisas boas e ruins pelas quais passei.
Porque estou cada vez mais entendendo que se todas elas fossem boas,
a vida seria um tédio.
E se todas fossem ruins também.
E não quero assim baixar a cabeça e aceitar as coisas indesejáveis,
despropositadas, cruéis e tristes,
só porque a vida quis assim.
Quero ser gente. Carne e osso, sangue que borbulha. Vísceras.
Que explode e se contradiz. E grita. Sorri. Chora.
Mas aprende a lutar.
E almeja vencer.
E vai enfrentar os desafios.

Lembrei do meu amigo, que escreveu uma reflexão linda do ano que passou e fez projeções pra este ano. E não viu - aqui neste plano - este ano terminar. E tive medo, confesso, de refletir sobre este ano, e de lançar aos ventos as minhas palavras.

Pausa. Riso (medroso, mas é um sorriso).

Ah tá, loira ruiva, e tu tá te achando tão poderosa assim? É, eu me acho às vezes...

Mas meu amigo sabe que eu não iria imitá-lo, né Zé?

Eu gosto mesmo de quebrar umas regras!

E vamos virando a página, que o aprendizado é longo e tem muita coisa ainda por vir!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Salve, Zé Mário!

foto: Lu Mena Barreto
Esse ano tá muito louco...
Sinais a toda hora querendo dizer coisas que eu preciso entender.
Momentos lindos e momentos cruéis.
Coração a todo momento sendo posto à prova.
Tristeza.
Foi-se hoje meu grande amigo Zé Mario Storino.
Figura ímpar. Sorriso único. Alma exemplar. E danado de cabeça-dura. Graças a Deus. Se fosse perfeito, ninguém agüentava.
Reclamávamos ao longo de anos de amizade, que nunca tinhamos contracenado juntos, o mais perto que chegamos foi na Dona Gorda, ele na cabine, operando o som (essencial demais pra esse espetáculo acontecer) e eu em cena.
E veio 2009 e o prêmio da Funarte que possibilitou a estréia do Avarento.
Viva! Eu e o Zé em cena juntos, finalmente.


foto: Luciano Sousa

E hoje, dia 16 de novembro, sem nenhum senso de humor, o Zé sai de cena. Assim, na velocidade do seu sorriso lindo. E nos deixa sem chão, puxa o nosso tapete e improvisar se torna quase impossível.

Num clique de inspiração com as lembranças desse amigo eterno e essencial, escrevi na página do orkut dele o texto que coloco no final deste post, e me recolho hoje preparando-me para o dia de amanhã, quando terei a primeira apresentação de Dona Gorda sem o Zé entre nós, ele que me indicou para o papel e me apresentou ao também amigo e parceiro Paulo Guerra. Fiquemos com tua doce lembrança amigo. Nosso bondoso Mestre Tiago do Avarento, nosso amigo e grande colega da maior parte da classe artística de Porto Alegre. A perda é enorme. E ganham os anjos do céu.

Aplausos amigo!

Zé, tu é muito baderneiro, arteiro, sem vergonha...
E eu te amo.
E achei sem propósito tua saída de cena
E eu te amo
E tu foi meu padrinho em tantas coisas que perdi a conta
E eu te amo
E tua amizade vai fazer falta todo dia.
E eu te amo.
Mas a lembrança do teu sorriso lindo vai nos acompanhar...
E é por isso e por tudo que tu sempre foi,
Que eu te amo. Sempre.
Me aguarde, quando eu te reencontrar te encho de palmadas por ter saído de fininho
Tó. Leva contigo um pedacinho do meu coração. Ta doendo mesmo, faz um cafuné....



foto: Luciano Sousa


by me, na página de recados do Zé no orkut...