quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Je vous remercie de la douleur *

Dominique Blanc em "La Douleur"

Não tenho muitas palavras, só o agradecimento pela oportunidade única de assistir a um ótimo texto interpretado por esta atriz que me deixou no mínimo engasgada. A arte do ator em cena com a complexidade, dignidade e seriedade que eu acredito que deva ter. Uma criação inteligente, profunda, sutil e meticulosa de uma personagem. Um olhar delicado para um tema igual. Aplaudo de pé. Não por ser o festival, onde perde-se a noção e aplaude-se tudo de pé. Faço sem pensar. Num impulso e por respeito e admiração ao espetáculo assistido.

Apesar da falta de noção e de educação da platéia com surtos de tosse descabidos, "agradeço pela dor" do ótimo "La Douleur".

É a minha dica.

A benção, Dominique Blanc.
* agradeço pela dor

domingo, 6 de setembro de 2009

Eu aplaudo no final!

Hoje à noite será a ultima apresentação desta primeira temporada de O Avarento, e uma saudade já invade as entranhas. Primeira temporada, pois espero que tenhamos vida longa com o espetáculo.
E ontem o espetáculo foi especial. Apesar de não ser o mais perfeito tecnicamente, estou falando aqui de energia. Tinha uma energia muito boa no Teatro de Camara ontem e eu saí de lá bem emocionada.
A tempo, recebemos mais um comentário do espetáculo, escrito na noite de ontem pela Helena Mello. Confira.
Ao final da noite, pós janta, no mesmo bar de sempre, fomos tomar um café e fumar um cigarro, eu e o João, e recebemos um carinho especial. Um rapaz se chegou ao "fumódromo" e veio nos agradecer pelo espetáculo. Ele havia assistido a apresentação e estava visivelmente tocado pelo que viu. Mais ou menos nas palavras dele: é importante quando saímos de uma peça "mexidos".
Ele realmente tinha se emocionado com o espetáculo e quis compartilhar isso conosco.
Nossa, fiquei muito sensibilizada.
Mais do que isso, me senti realizada.
Pois é por esse motivo que cometo a insanidade de insistir nessa profissão tão árdua, instável e tão pouco reconhecida.
Por acreditar na possibilidade de transformar a vida das pessoas, transportá-las pra outro universo, compartilhar emoções, refletir, questionar.
E é por isso que agradeço aos colegas do Grupo Farsa e a todos envolvidos neste projeto por este "momento-agora" (como diria Clarice Lispector).
Por estar, mesmo que aos pedaços, me sentindo inteira. Tenho o maior orgulho de nós! E nos sinto muito especiais.
Então vamos lá, ao camarim, ao aquecimento e depois ao palco, encerrar com muita dignidade esta temporada.
Amo vocês! E a vocês ofereço minha maior gratidão!
Beijos perfeitos, impagáveis, cheios de paciência, cumpridores, maravilhosos e um grande abraço, agarradinhos debaixo do capote! hehehe... (amo piadas internas)

Até a noite e MERDA PRA NÓS!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Falem mal, mas falem nós!


É com muito orgulho e uma saudade enorme que toda a equipe do Avarento entra hoje na última semana desta curta e marcante temporada na vida de todos nós. Sim, ouso falar em nome de todos, dos mais "estreantes" ou "novatos" aos mais "experientes". Diga-se de passagem, estes rótulos, por vezes lidos como pejorativos, para mim tem o sentido oposto na maioria das vezes, pois aprendo demais com quem chega ao palco sem vícios de atuação e com o desprendimento e a expontaneidade de quem não tem nada a perder.
Pois bem, e por que seria esta uma temporada tão especial?
Para mim, em meio a uma época bem turbulenta na minha vida, digo que esta montagem foi minha válvula de escape, meu desafio pessoal de mergulhar numa linguagem e personagem que exigiu um bocado. Por que? Porque ela já nasceu (dramaturgicamente falando) rica. Qualquer um que leia o texto vai achar a Frosina engraçada. Ai mulher, e isso é ruim? Não. Graças a Deus é ótimo. Mas te põe numa obrigação. Poxa, se a personagem é boa, eu tenho que fazer dali pra mais. Pelo menos é desse jeito que eu me cobro as coisas.
Isso do meu ponto de vista, ou melhor, da minha personagem. Mas fora isso, tem a linguagem escolhida. O trabalho musical e corporal. Afinal, a escolha era encher o palco com os atores favorecidos com ótimos figurinos e deu. Beijo me liga. A encenação em cima do trabalho do ator. O desafio de colocar um elenco de várias formações musicais (alguns com nenhuma) fazendo um coro pelo menos competente.

E a meu ver conseguimos.

Isto já antes de iniciar o espetáculo. Entre o segundo e o terceiro sinal, quando cantamos fora de cena a nossa música de - vou chamar como eu sinto - "união", desde o primeiro dia me arrepiei. Parabéns elenco. Já cantei em diversos grupos de canto coral, e o resultado que conseguimos, sendo que não somos cantores, é bárbaro.

Mas isso tudo acontece por um motivo. Energia canalizada. Vontade. Crença.

Desde o primeiro dia (mesmo) o nosso Avarento mexeu com as entranhas de muita gente. Uns que adoraram, outros se incomodaram, outros não gostaram mesmo. Que bom! Há vida inteligente na platéia e toda a unanimidade é burra, não é o que dizem?

E que sigam falando. Que botem o verbo para fora. Que todos nós sigamos dizendo a que viemos e porque viemos.

Que se discuta, que se questione, se elogie e critique.

Porque aí sim, estaremos cumprindo nossa função e formando platéias atentas e dispostas a interagir com a nossa arte transformadora.

Aos Avarentos colegas de cena, merda pra nós!

Aos visitantes que por aqui passaram os olhos e quiserem se inteirar do assunto, deixo abaixo os links para acompanharem o que se falou sobre esta montagem que encerra neste final de semana sua temporada no Teatro de Câmara Tulio Piva. Sexta e sábado às 21h e domingo às 20h.

Antônio Hohlfeldt- Crítica - Jornal do Comércio 04/09/09
artistasgauchos.com.br - por Marcelo Spalding
Douglas Carvalho- Comentário
Gilberto Fonseca- Diretor do espetáculo (contém comentários enviados ao Grupo Farsa)
Marcelo Adams- Comentário
Teatro Sarcáustico - por Daniel Colin
Marcos Chaves- Diretor Musical e Ator do espetáculo
Leia e forme sua opinião, mas acima de tudo, assista!
E aos colegas do Grupo Farsa só posso dizer que no teatro, rola direto, hehehe...
Aplausos pra nós!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sétimo dia...

A missa de sétimo dia do meu pai será nesta 6ª feira, dia 21 de agosto, às 18 horas na Igreja Santa Teresinha, em frente à Redenção.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Meus olhos verdes choram...

... e não tem como ser diferente.
Diante de tantas manifestações, abraços, palavras amigas e homenagens ao meu pai, eu engasgo, sorrio, entristeço, me emociono, me orgulho.
Em primeiro lugar, agradeço a todos os comentários no post anterior aqui do blog. Cada um destes comentários foi recebido com muito carinho. E me confortaram.
Hoje, mais uma leitura me trouxe doces lembranças, muitas divertidíssimas, sobre meu pai no blog da GRAFAR. Convido vocês a partilharem esta leitura comigo. É um tributo ao Bendati.


A exemplo de 1998, ano da morte de minha mãe, acho que minha ficha ainda não caiu por completo, visto também que tem sido uma época de muito trabalho (graças a deus...). Ou talvez o meu anjo porteño esteja agora, junto com minha mãe guerreira, cuidando de mim e tentando colocar um pouco de serenidade e maturidade no corpo e alma desta "boluda".

Mas, ainda que com a tranquilidade de saber-te descansando agora pai, sinto tua falta. E da mãe também.

Beijo vocês.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Besos, viejo Bendati!

Foto: Adriana Franciosi - ZH *


Não sei como melhor descrever meu pai.
Aqueles olhos azuis eram envoltos em tango. Ele respirava tango, tinha zilhares de cd's, discos de vinil, fitas K7 e noventa e nove por cento eram tangos. O um por cento restante certamente eram presente de alguém, que diga-se de passagem, se equivocou apesar de bem intencionado.
Carlos Gardel, Astor Piazzola, coletâneas tangueras preenchiam o universo deste argentino, naturalizado brasileiro, com mulher, filhas, neta e cachorros brasileiros, com muito orgulho, como ele mesmo dizia.
Anibal Carlos Bendati. Nascido em 11 de setembro, data lembrada com grande alegria até as torres gêmeas puxarem o foco. O Bendati puteou um pouco o ocorrido, com aquele palavreado castelhano de "baixo calão" que lhe era tão peculiar.
E é assim que lembro dele, e quero seguir lembrando sempre. Essa doçura e explosão constantes. Sem fazer da vida um mar de rosas. Porque também brigávamos, discutíamos, divergíamos, graças a deus. Mas foi ele, assim como minha mãe, que sempre apoiou a mim e minha irmã, nas loucuras e sanidades que resolvemos enfrentar.
Ninguém melhor do que o "véio Benda" repetia melhor o jargão que tão bem cabe aos artistas que ganham pouco e trabalham muito. Ele respondia à pergunta a quem perguntasse como ele estava, que estava "jodido pero contento" (deixem de ser preguiçosos, procurem um dicionário).
Pois bem, esse cara, jornalista, desenhista, professor, fez história nas artes gráficas no Rio Grande do Sul e no Brasil. Fez teatro também, na argentina, e talvez isto explique muita coisa. Não sei porque não foi cantor, pois tinha um vozeirão, visto que quando esbravejava com o computador, a vizinhança toda ficava sabendo.
E era doce. Uma manteiga derretida. Um porteño apaixonado e saudosista. Ele dizia sempre que no dia que chegou ao Brasil, em 57, no porto de Santos, se emocionou pois escutou, não lembro se em uma rádio ou o que, o tango "Mi Buenos Aires Querida", na voz de Gardel. Não sei se a cena foi assim mesmo, ou se o temperamento tanguero do pai imaginou a cena ideal, mas gosto de pensar que tudo aconteceu assim mesmo, com o charme dos anos 50 e o então jovem Bendati, com sua mala e seu terninho desembarcou por aqui para iniciar a nossa história, com toda poesia que aquela imagem dos filmes em preto e branco sabem imprimir.
Uma história rica e que fomos pintando em cores. De muito amor. De uma família amorosa e liberal. Que viveu os horrores da ditadura, e tantos outros acontecimentos bons e ruins com uma lei fundamental: amor. E respeito. Como já disse, com muito bate boca e divergência. Porque senão seria uma chatisse mesmo. Com uma inspiraçãozinha italiana, apesar do sobrenome Bendati com um "t" só remeter a italiano fajuto, o pai era neto de italianos sim.
E foi neste sábado, dia 15 de agosto de 2009 que meu pai, el gran Anibal Carlos Bendati partiu para outro plano.
Com um suspiro, como disse minha irmã.
E com um suspiro ficamos por aqui, rindo das ranzinzisses que se suavizam com a saudade, e com lágrimas contemplativas na lembrança dos mais belos olhos azuis que eu tive o prazer de conviver.

Fica em paz meu pai. A benção e todo o nosso carinho pra ti. Te amamos.
Tuas filhas, Lúcia e Mercedes
*Esta foto foi tirada para uma reportagem de dois ou três anos atrás e publicada no jornal Zero Hora. Obrigada à fotografa por ter captado com tanta poesia o meu pai que ela nem conhecia...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Estréia "O AVARENTO"

A partir de hoje até o dia 06 de setembro no Teatro de Câmara Túlio Piva entra em temporada o espetáculo "O AVARENTO", nas sextas e sábados às 21h e domingos às 20h. Ingresso a R$ 20,00 com desconto de 50% para professores, estudantes, classe artística, melhor idade e clube do assinante.


FICHA TÉCNICA
O AVARENTO - Grupo Farsa

Texto:
Molière
Elenco:
Elison Couto
Marcos Chaves
Daiane Oliveira
Lucas Krug
Ariane Guerra
Lúcia Bendati
Zé Mário Storino
João Pedro Madureira
Trilha Sonora e Preparação Vocal:
Marcos Chaves
Mixagem:
Leonardo Vergara
Figurinos:
Daniel Lion
Maquiagem e Cabelos:
Elison Couto
Cenário:
Gilberto Fonseca e Lucas Krug
Iluminação:
Gilberto Fonseca
Projeto Gráfico:
Adriana SanMartin
Fotografia:
Luciana Mena Barreto
Divulgação:
Sandra Alencar
Produção:
Inês Hübner
Assistência de Direção:
Marcos Chaves
Direção:
Gilberto Fonseca

Experimente não conferir...